O mercado financeiro atrai cada vez mais pessoas interessadas em investimentos a curto e longo prazo. Mas, apesar da recente popularização e do aumento no conteúdo disponível sobre o tema, ainda existem muitas dúvidas e inseguranças que atrapalham os novos investidores. Para ajudar a solucionar alguns problemas, separamos dicas essenciais para quem quer começar no ramo e não sabe quais são os primeiros passos. Também listamos erros mais comuns e um pouco do dia a dia no mercado financeiro. Confira!

1. Por onde começar?

“A primeira coisa é determinar o quanto você vai investir“, alerta Vinicius Miranda, CTO do Clude e swing trader. É importante definir de onde vem a renda a ser investida, se é uma quantia reservada ou renda contínua, como uma parcela do salário. “Quanto maior o valor, melhor”, explica.

Outro passo é estipular uma meta para o investimento, como a compra de uma casa, de um carro ou garantia de aposentadoria. Assim, a organização e o planejamento para a atuação ficam mais claros. Depois, é preciso entender qual perfil do investidor: conservador (risco baixo), moderado (risco médio) ou agressivo (risco alto). Para seguir em frente e dar o primeiro passo, é hora de encontrar uma corretora de seguros ou um banco. “Procure instituições de renome no mercado e confira a regulamentação da CVM (Comissão de Valores Mobiliários)”, orienta Vinicius.

2. Quais são os tipos de investimento mais comuns?

CDBs (Certificados de Depósitos Bancários)

Os CDBs são utilizados pelos bancos para captar recursos. Quem investe faz uma espécie de empréstimo ao banco e, ao final do período combinado, recebe os juros por isso. O dinheiro pode ser resgatado antes do período se o contrato garantir essa possibilidade. O mercado oferece diversas opções de CDBs e a rentabilidade varia de acordo com o volume de dinheiro aplicado e a modalidade contratada (pré-fixada ou pós-fixada). Os CDBs podem ser:

Pré-fixados: quando você sabe as taxas de remuneração do seu investimento no momento da aplicação;

Pós-fixados: quando a remuneração depende do indexador contratado. Ex: CDI (Certificado de Depósito Interfinanceiro) ou a TR (Taxa Referencial).

Lembre-se: há a cobrança de IOF – Imposto sobre Operações Financeiras – para resgates antes de 30 dias.​

RDBs (Recibos de Depósitos Bancários)

São títulos emitidos pelos bancos que têm características semelhantes às dos CDBs. A diferença é que os RDBs não podem ser negociados antes de seu vencimento e não podem ter transferência de titularidade. Há a cobrança de IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) para resgates antes de 30 dias.

Fundos de investimento

É um tipo de aplicação financeira em que várias pessoas se reúnem para ter acesso a aplicações financeiras com custos menores. O objetivo é receber algum ganho financeiro, mas, neste caso, não há garantias de que isso aconteça. Fundo de investimento é organizado como uma empresa e administrado por uma instituição financeira. Existem diferentes tipos de fundos de investimento que variam de acordo com o prazo ou o risco da aplicação.

O prazo para esse tipo de investimento pode ser curto, médio ou longo e, em todos os casos, pode haver cobrança de taxas de administração como IOF – Imposto sobre Operações de Crédito – e IR – Imposto de Renda.

Dica: leia sempre o prospecto e os fatores de risco do fundo de investimento em que pretende aplicar o dinheiro da sua empresa.

Caderneta de poupança

Essa é a mais tradicional aplicação financeira. Segura, simples e com liquidez diária, você pode ter a certeza de que ela vai render todo mês. Atualmente, a remuneração da poupança para pessoa jurídica funciona assim:

Enquanto a meta da Taxa SELIC for maior do que 8,5% a.a., a remuneração da poupança continua 1,5% ao trimestre + TR;

Quando a Meta da Taxa SELIC for igual ou menor que 8,5% a.a., a remuneração da poupança será igual a 70% da meta da Taxa SELIC + TR.

Ações

São títulos que se referem a menor fração do capital de uma empresa de Sociedade Anônima (S.A.), negociados em bolsa de valores ou mercado de balcão, e emitidos por uma empresa de Sociedade Anônima. O investidor torna-se um coproprietário da empresa, um acionista que passa a participar dos resultados da corporação.

A rentabilidade depende da variação entre os preços de compra e venda, que pode até ser negativa, e dos diversos proventos, que dependem dos resultados da empresa e do setor econômico ao qual ela pertence.​

As ações se subdividem em 2 grupos: ordinárias (ON), que concedem direito a voto em assembleias, e preferenciais (PN), que dão direito à preferência na distribuição de dividendos. Ações ON têm como final do código de negociação o número 3, já as PN podem receber números do 4 até o 8.

As definições são da Caixa Econômica Federal.

3. Como é o dia a dia de um investidor?

A rotina de um investidor varia de acordo com o perfil e com o tipo de investimento. “O mais comum é a pessoa analisar no final de semana as opções ou separar algum período do dia para analisar o mercado”, explica Vinicius Miranda, CTO do Clude. Se você investe em ações, por exemplo, acompanha diariamente os valores e oscilações e investe de acordo com o seu interesse. Por ser uma modalidade mais dinâmica, exige acompanhamento e atenção. Já quem investe a longo prazo, como na poupança ou no Tesouro Direto, tem uma rotina mais tranquila.

4. Quais são os erros mais comuns?

Existem muitas informações circulando na internet sobre investimentos e mercado financeiro, mas isso não impede que iniciantes cometam erros básicos por falta de orientação e crença em algumas mentiras disseminadas. “As pessoas acham que vão ficar milionárias da noite para o dia. Têm expectativa muito alta de ganhar dinheiro muito rápido, principalmente no mercado acionário e de day trade”, comenta Vinicius.

Outro erro comum é começar a investir sem conhecimento prévio. Com baixo ou alto risco, é preciso ter muito preparo teórico e também psicológico. Rumores e informações desencontradas estão por todos os lugares, e é preciso se prevenir: “oportunidades fáceis demais são furada”, alerta.

Para obter bons resultados em investimento é preciso ter paciência, pois o retorno leva certo tempo. Se seu perfil for conservador, será preciso esperar alguns anos, tudo depende da quantia e do tipo de investimento realizado. Já no mercado de ações, o retorno é mais rápido e, ao mesmo tempo em que é possível lucrar em pouco tempo, também existe o risco de muita perda de dinheiro.

Dicas:

Estude muito e entenda como funciona o mercado financeiro;

Separe exatamente o que você quer aprender;

Não tente saber de tudo, é muito fácil se perder;

Defina uma quantia e se planeje;

Defina uma meta a ser atingida;

Escolha o perfil adequado para você;

Separe um horário diário ou semanal para cuidar dos seus investimentos;

Aprenda com as experiências dos outros;

Não acredite em oportunidades fáceis demais;