Com o avanço da vacinação no Brasil, muitas empresas que adotaram o modelo de home office durante a pandemia estão se preparando para o retorno presencial ou híbrido. Desde março de 2020, aproximadamente 11% dos trabalhadores ativos adotaram esse modelo no Brasil, o que corresponde a 8,2 milhões de pessoas, segundo pesquisa divulgada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

Como cada setor demanda um ritmo de trabalho específico, os profissionais de Recursos Humanos e as equipes de saúde de cada companhia estão fazendo a mediação caso a caso para as novas dinâmicas. “É um grande desafio. Precisamos estar sempre trazendo para o colaborador a importância de se cuidar. Ao longo da pandemia, vivemos um momento em que a importância é olhar para o coletivo, pensar no melhor clima organizacional, trabalhar engajamento, cultura, motivação. As pessoas estão com suas preocupações e problemas pessoais, com suas angústias, então precisamos estar atentos”, alerta Maria Claudia Magano, Head de Recursos Humanos no Clude.

Na área da saúde não é diferente. Os funcionários precisam de algum tipo de suporte, seja de uma equipe médica interna ou de assistências de saúde oferecidas pela empresa. Esse apoio estimula o retorno seguro e presta serviços em caso de suspeitas de COVID-19 ou até mesmo de contaminação. “Não existe um roteiro a ser seguido nesse caso por ser tudo novidade, então acho que cabe a cada empresa reunir suas lideranças e pensar em um plano de retomada”, orienta Drª Laura Gusman, Diretora Médica do Clude.

Todas essas mudanças de rotina e trabalho podem gerar dúvidas e receios no time de colaboradores. Por isso, é essencial que a equipe de gestão de pessoas de cada empresa continue realizando orientações na retomada. “O papel do RH é estar sempre próximo, se fazer presente, seja antes, durante e depois da pandemia. Devemos acompanhar como está a produtividade em casa, se o ambiente está adaptado, encorajar o retorno presencial e instruir para que os protocolos de segurança sejam seguidos, acompanhar a adaptação da rotina e prestar todo o auxílio necessário”, explica Maria Claudia.

Mesmo com a vacinação, ainda é preciso manter todos os cuidados dentro do escritório. “Todo mundo vem de algum lugar, todo mundo esbarra com alguém na rua ou passa um tempo considerável no transporte para se deslocar até o trabalho”, alerta Drª Laura. Por isso, é preciso tomar cuidado ao considerar o escritório um ambiente seguro, já que a exposição também acontece no trajeto ou no almoço, por exemplo. 

Apesar do retorno presencial, muita coisa mudou no dia a dia dos funcionários. Para conter o avanço da contaminação, ainda são recomendados os cuidados essenciais contra a COVID-19 que já conhecemos há meses, como: uso obrigatório de máscaras, higienização constante com álcool em gel, distanciamento social e vacinação. “Acho que seria interessante ter todos os funcionários com pelo menos duas semanas após a segunda dose da vacina, seria um cuidado importante pra gente proteger mais”, comenta Gusman.

 

Modelo híbrido

Para atividades que não dependem essencialmente da interação presencial entre os funcionários, ainda é possível manter o modelo híbrido, que consiste em escalas. A decisão varia de empresa para empresa, podendo ser de dias intercalados entre home office e presencial, um dia na semana de home office ou combinado diretamente com cada funcionário de acordo com o que for melhor para as duas partes.

É importante que as gestões acompanhem os colaboradores e auxiliem para que o ambiente de trabalho em casa seja adequado. Em caso de necessidade, a empresa deverá fornecer os equipamentos (computadores, notebooks, telas), cadeiras e outros materiais necessários, prestando auxílio também em casos de internet ou outras dificuldades.

 

Cuidados para o retorno

Além dos cuidados físicos e de comportamento para tornar o ambiente de trabalho mais seguro, a tendência é que as empresas acompanhem também as mudanças psicológicas que o retorno pode acarretar para os funcionários. Por ser uma mudança brusca na rotina e a exposição acaba sendo maior. Afinal, mesmo com a vacinação ainda é possível que ocorra transmissão do vírus.

Além do acompanhamento médico e do setor de recursos humanos, é fundamental que os funcionários tenham atenção nutricional e psicológica para que todas as mudanças e questões individuais sejam atendidas. A rotina em casa é muito diferente da rotina no trabalho presencial, e é preciso ter cuidado para que isso não afete a produtividade e a saúde do colaborador. Sthefanie Venturi e Mirelle Marques, nutricionistas do Clude, recomendam atenção para alguns pontos:

  • Beber água regularmente;
  • Cuidar das refeições (seja na marmita ou no prato em restaurantes);
  • Ter um tempo demarcado para realizar as refeições com calma; 
  • Realizar alongamentos frequentes;
  • Praticar ginástica laboral.

 

“Quando a empresa percebe a importância de cuidar da saúde mental dos colaboradores, ela vê que isso é um investimento, porque a atenção psicossocial melhora a produtividade dos times”, ressalta Gabriela Pontes, psicóloga do Clude. A sobrecarga emocional dos funcionários foi uma questão que ficou ainda mais em evidência na pandemia, já que os medos, angústias e até mesmo o luto acabam interferindo no rendimento e no dia a dia. 

“É comum que um funcionário dê um atestado por um braço quebrado ou um resfriado, mas no caso de uma crise de ansiedade ou um quadro depressivo já existe uma ‘barreira’, um tabu”, completa Gabriela. Para que os colaboradores sejam assistidos da maneira correta, o cuidado com a saúde precisa ser completo e passar pela atenção física e mental de um time multidisciplinar composto por médicos, psicólogos, nutricionistas, enfermeiros, personal trainers e gestores de recursos humanos.