As Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST) são um assunto frequente quando falamos da saúde humana, e a relevância dada à questão não é à toa. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), há mais de um milhão de casos de ISTs por dia no planeta, onde a principal responsável pelas contaminações é a relação sexual sem o uso de proteção.

A transmissão ocorre através de vírus, bactérias ou outros microrganismos durante o contato de um indivíduo com as mucosas ou secreções corporais contaminadas, sendo que, por exemplo, o momento do parto ou amamentação de uma mãe infectada também é passível de contágio pela criança.

Conhecidas anteriormente como Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs), hoje são apelidadas exclusivamente como infecções. A alteração do termo técnico se deu por recomendação da própria OMS em 2016, já que o conceito de “doença” abrange distúrbios que apresentam sintomas perceptíveis, e as ISTs, na maioria dos casos, são silenciosas.

Justamente pela falta de sintomas perceptíveis, as ISTs acabam passando invisíveis para muitos pacientes e tornam-se mais suscetível a transmissão. Para compreender as infecções, é recomendado que todos façam uma testagem regular disponível gratuitamente nas Unidades Básicas de Saúde ou em Centros de Testagens pelo Sistema Universal de Saúde (SUS).

Quais são as ISTs mais comuns?

Entre as mais de 12 infecções classificadas como sexualmente transmissíveis, podemos destacar 8 como sendo as mais frequentes e conhecidas:

  • Sífilis
  • Herpes genital
  • Gonorreia
  • Clamídia 
  • Tricomoníase
  • HPV
  • HIV 
  • Hepatites virais

A Sífilis é resultado da contaminação pela bactéria Treponema pallidum e se manifesta em estágios com sintomas divergentes. No primeiro momento, há o aparecimento de uma pequena ferida indolor no local infectado, que logo desaparecerá. 

No segundo estágio, após a cicatrização do ferimento, conta-se entre seis semanas e seis meses para o aparecimento de manchas e dores no corpo, além de febre e pequenos caroços. Já na terceira etapa, conhecida como fase assintomática, não há presença de sintomas ou efeitos colaterais da infecção. 

No último período da infecção, que pode surgir até 40 anos após o primeiro contato com a bactéria Treponema pallidum, o paciente manifesta pequenas lesões na pele, nos ossos, no sistema cardiovascular e neurológico, podendo, finalmente, levá-lo à morte se não houver nenhuma intervenção médica.

A Herpes Genital é fruto da contaminação pelo vírus HSV, que, uma vez dentro do organismo, se dirige para as raízes dos nervos e impossibilita o contato do sistema imunológico, tornando difícil a sua expulsão.

A infecção pode se classificar em duas categorias: genital e labial. Em ambas há o aparecimento de pequenas feridas em formato de buquê que causam coceira, ardor e inflamação. O local das lesões varia entre o rosto – para a herpes labial – e as genitálias – para a herpes genital. 

As feridas podem regredir naturalmente em alguns pacientes, mas mesmo com as lesões cicatrizadas, há grande possibilidade de transmissão do vírus.

A Gonorréia e a Clamídia são infecções geralmente associadas e originadas através do contato com as bactérias Neisseria gonorrhoeae e Chlamydia trachomatis, respectivamente. 

Sendo muitas vezes assintomáticas, as infecções são de difícil percepção. Quando há manifestação, os sintomas variam entre os homens e as mulheres.

Nas mulheres podem aparecer dores ao urinar, durante as relações sexuais e no baixo ventre, além de corrimentos amarelados. Para os homens, os sintomas se manifestam como dores nos testículos, ardor ao urinar, além de secreção de pus e corrimentos.

No caso feminino, se não houver nenhuma intervenção médica, os sintomas podem agravar e levar ao aparecimento da Doença Inflamatória Pélvica (DIP) e problemas com infertilidade ou durante a gestação.

A Tricomoníase é originada através da infecção pelo protozoário Trichomonas vaginalis, encontrado mais frequentemente na flora vaginal. Em muitos casos a infecção é assintomática, facilitando a sua transmissão. Quando há manifestação de sintomas, geralmente se configuram como corrimentos de cores alteradas e com mau cheiro e dores durante a relação sexual ou ao urinar. 

O HPV é uma infecção resultante do contato de mucosas ou da pele com o vírus Humano.

A partir da interação com o agente transmissor, leva-se entre 2 meses ou até 20 anos para que a infecção se manifeste. A presença do vírus induz o organismo a sofrer uma queda na sua resistência e pode promover o aparecimento de lesões classificadas em clínicas e subclínicas.

As feridas clínicas, na maioria casos, representam um HPV não cancerígeno. São verrugas visíveis e localizadas nas regiões genitais com formatos e tamanhos diferentes, podendo ser em relevo ou não. Já as lesões subclínicas são invisíveis a olho nu e assintomáticas, representando, em sua maioria, uma infecção cancerígena. 

O HIV é a infecção que ocorre através da interação do indivíduo com o próprio vírus da imunodeficiência humana.

O agente infeccioso, ao entrar no organismo através do contato com os fluidos do contaminado, ataca o sistema imunológico e seus linfócitos, e permanece, de modo perpétuo, no indivíduo. 

Após a contaminação da pessoa pelo HIV, se não houver suporte e tratamento médico, o paciente pode desenvolver a Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS). Sendo assim, ao contrário do que o senso comum dita, não são todos os portadores do vírus que desenvolvem a síndrome.

Os sintomas da infecção se baseiam no abalo da imunidade do paciente, tornando-o mais suscetível à contaminação por outros agentes infecciosos e agravando os efeitos colaterais de qualquer contágio.

As Hepatites Virais são resultado da infecção pelos vírus A, B, C, D ou E, sendo os três primeiros mais comuns no Brasil.

Quando colocado em contato com algum dos vírus, o indivíduo pode manifestar problemas relacionados ao fígado, e, se não tratados, é viável que se desenvolva uma cirrose, fibrose avançada ou até câncer.

Cada hepatite possui pontos singulares em relação ao tratamento, por exemplo, a tipo B não apresenta cura até o momento, mas há vacina para a prevenção, já a tipo C não dispõe de imunização, mas pode ser curada através da manipulação de alguns medicamentos.

Tratamentos

O tratamento para as Infecções Sexualmente Transmissíveis varia de acordo com cada agente infeccioso. A intervenção médica facilita a vida do infectado e pode alterar a corrente de transmissão dos microrganismos.

A prevenção ainda é a melhor forma para combater as ISTs. Dentre as recomendações, destaca-se o uso contínuo de preservativos durante o ato sexual, além de testagens regulares a fim de detectar a presença de patógenos. 

O autoexame também passa a ser uma alternativa para início dos tratamentos. A presença de verrugas, lesões, corrimentos, dores na região íntima ou durante o ato sexual são indicativos de infecção por ISTs e devem receber uma análise médica o quanto antes. 

 

*Atenção: As informações existentes no Blog do Clude pretendem apoiar e informar, não substituindo a consulta médica. Procure sempre uma avaliação pessoal.