O vínculo entre mãe e bebê é extremamente importante e ocorre especialmente durante a amamentação, no momento do contato pele a pele. O laço afetivo criado por esse gesto contribui muito para a saúde. 

A amamentação é essencial para a saúde do bebê e já começa nos seus primeiros 60 minutos de vida, chamados de “golden hour” ou “golden hour”. Segundo a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) e a Organização Mundial da Saúde (OMS), é necessário que a amamentação seja exclusiva nos primeiros 6 meses de vida, podendo se estender até os 2 anos de acordo com a necessidade e o desejo de continuar com o processo, tanto da mãe como da criança. Porém, dados do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) mostram que, no Brasil, apenas 39% das mães utilizam exclusivamente leite na alimentação dos bebês até os 6 meses. 

O leite materno passa por importantes etapas durante sua evolução. Do colostro até o leite maduro há mudanças na cor, textura e nutrientes, por isso a amamentação é fundamental desde as primeiras horas do bebê. 

O que é o leite materno?

O leite materno é um alimento completo que supre todas as necessidades nutricionais do bebê. Em sua composição há milhões de células vivas, proteínas, vitaminas e minerais que auxiliam em todo processo de desenvolvimento e do sistema imunológico, sendo capaz de combater infecções e prevenir doenças. O leite também é responsável pela diminuição da mortalidade, sendo que em crianças amamentadas exclusivamente com leite até os 6 meses, o risco cai em cerca de 40%.

Os benefícios da amamentação são importantes tanto para a mãe quanto para o bebê, portanto, ele é um alimento essencial juntamente com a amamentação. Para o bebê, o leite é importante para:

  • Redução do risco de doenças alérgicas;
  • Melhora na digestão;
  • Estimula a arcada dentária;
  • Diminui as chances de desenvolvimento de doenças como linfoma e Crohn. 

Para a mãe, a amamentação é fundamental para o pós-parto, além da diminuição de incidência de câncer de mama, de ovário e de endométrio. Segundo o American Institute for Cancer Research, isso acontece devido à lactação induzir um padrão hormonal único, sendo que a cada ano que a mulher amamenta, o risco de desenvolver o câncer de mama cai 6%. Além disso, há benefícios como:

  • Diminuição do sangramento no pós-parto;
  • Protege contra doenças cardiovasculares;
  • Ajuda na recuperação do peso pós-gestação. 

As fases do leite materno

Durante o período recomendado de amamentação, o leite materno passa por 3 importantes fases: colostro, leite de transição e leite maduro, e todos são fundamentais para o desenvolvimento do bebê. 

Colostro

É o leite produzido logo após o nascimento do bebê. Geralmente possui uma consistência mais líquida e pegajosa, pode ser transparente ou de aparência mais amarelada. Possui os mesmos nutrientes do leite maduro mas em quantidades nutricionais diferentes, com mais proteínas, anticorpos e menos gordura. Além disso, é fundamental para o sistema digestivo do bebê, auxiliando especialmente na evacuação do primeiro cocô, chamado de mecónio.

Nas primeiras duas ou três semanas após o parto, o leite materno começa a passar por uma transição, onde há mudanças na sua espessura, deixando-o menos amarelado e mais leitoso. 

Leite de transição

Após o processo de mudança, o leite vai amadurecendo aos poucos, e a fase de transição é o período entre o colostro e o maduro. Essa etapa do leite geralmente é produzida entre o sexto e o décimo quinto dia após o parto, onde a mãe sente que as mamas ficam mais cheias e firmes. Possui uma textura mais cremosa e é rico em gordura e lactose, o que ajuda no desenvolvimento do bebê. 

Leite maduro

A última etapa é o leite maduro, que surge cerca de duas semanas após o parto. É rico em proteínas, vitaminas como A e C, além de minerais e carboidratos: um alimento completo com todos os nutrientes necessários para o bebê. É recomendado pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) que a criança seja alimentada até o sexto mês de idade apenas com o leite materno, sem nenhum tipo de complemento.

A composição do leite não é algo constante, podendo haver mudanças em proporção de gordura a cada mamada, especialmente em sua textura. Quando o leite é mais fino e aguado, possui uma quantidade importante de carboidratos e vitaminas e em momentos que ele sai mais grosso e cremoso, é mais gorduroso.

Em caso de dúvidas sobre o leite materno, com relação aos valores nutricionais e especialmente sobre as mudanças que ocorrem, é importante sempre consultar um profissional. 

Problemas na amamentação

Algumas mães sofrem com problemas relacionados à amamentação, como o ingurgitamento mamário, que acontece em decorrência da retenção e acúmulo de leite nas mamas, e também a produção insuficiente de leite.

São diversas causas que envolvem condições físicas e também emocionais, onde a mamada torna-se algo doloroso. A fadiga e o estresse pós-parto são dois principais fatores que interferem na produção e qualidade do leite materno. 

Por isso, é fundamental que a mãe esteja com uma rede de apoio de familiares e amigos e que tenha uma equipe médica com obstetras e pediatras que a auxiliem da melhor maneira nesse processo. 

Agosto Dourado

O mês de agosto é dedicado à amamentação a fim de intensificar ações de conscientização e informação ao público sobre a importância do aleitamento materno. 

Entre os dias 1 e 7, ocorre a Semana Mundial do Aleitamento Materno (SMAM) com a coordenação da Aliança Mundial para Ação em Aleitamento Materno (WABA) e, em 2021, o tema da campanha é “Proteger a amamentação: uma responsabilidade de todos”. Segundo seus organizadores também terá um foco especial sobre a pandemia de Covid-19 que afetou o ato de amamentar.