Os primeiros 60 minutos de vida do bebê são essenciais e decisivos para a saúde. É um período tão importante que foi apelidado de “golden hour” ou “hora dourada” por profissionais da área, e as recomendações para maior aproveitamento são: estimular o contato pele a pele entre a mãe e o bebê, realizar o mínimo possível de intervenções médicas e encorajar a amamentação na primeira meia hora após o nascimento. “A hora dourada indifere do parto que foi feito, se foi cesárea ou parto normal. Todos esses fatores combinados aumentam o vínculo da mãe com o bebê”, explica Drª Laura Gusman, médica do Clude.

Um estudo publicado no Jornal de Pediatria também analisa a relação entre o percentual de amamentação na primeira hora de vida e as taxas de mortalidade neonatal. O aleitamento neste período teria mais sucesso por ser um momento em que a mãe e o bebê estão alertas e, ainda segundo a pesquisa, é uma prática que pode reduzir em 22% a mortalidade neonatal, sendo que quanto mais se prorroga o início do aleitamento materno, maiores as chances de mortalidade causadas por infecções.

Com o intuito de incentivar essa prática tão importante, a Semana Mundial de Amamentação acontece do dia 1º a 8 de agosto, no chamado Agosto Dourado, e a edição de 2020 traz o tema: Apoie a Amamentação por um Planeta Saudável (em tradução livre). A proposta da data, que teve início em 1992, é repensar os impactos da alimentação infantil no meio ambiente e como a amamentação pode reduzir os danos, já que é é um alimento natural e renovável, ambientalmente seguro e ecológico, produzido e entregue ao consumidor com o mínimo de poluição, embalagem ou desperdício.

A iniciativa faz parte de um esforço coletivo para contribuir com a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, um plano de ação proposto pela Organização das Nações Unidas (ONU)  para mobilizar pessoas, entidades e organizações para uma atuação coletiva visando a transformação do Planeta. O meio ambiente já foi pauta em duas outras campanhas da Semana Mundial de Amamentação: a de 1992 (Amamentar é um ato ecológico) e a de 2016 (Amamentação é a chave para um desenvolvimento sustentável).

As primeiras horas de vida do bebê são fundamentais e o estímulo à amamentação é importante porque nos primeiros cinco dias pós parto o corpo da mãe produz um líquido chamado colostro.

O que é o colostro?

“É um líquido produzido em pequena quantidade, rico em componentes do sistema imunológico, com baixa lactose, maior percentual de gordura e de proteínas do que o leite maduro da mãe”, comenta Drª Laura Gusman. Além de estimular o sistema imune, o colostro acaba ajudando na maturação do sistema gastrointestinal do bebê e diminui alergias, por exemplo.

O bebê não necessariamente vai conseguir mamar nos primeiros 60 minutos e, apesar de ser importante estimular o ato, o contato pele a pele da hora dourada já contribui para a produção de ocitocina, hormônio produzido pelo hipotálamo responsável por promover as contrações musculares uterinas, reduzir o sangramento durante o parto e estimular a libertação do leite materno pela mãe.

É possível preparar o mamilo?

A amamentação não é uma prática fácil e, se realizada de maneira incorreta, pode causar dores, rachaduras, mastite, sangramentos e muito incômodo à mãe. Antigamente circulavam inúmeras recomendações que supostamente ajudariam no preparo do mamilo para a amamentação, como expor ao sol, esfregar brucha para criar maior “resistência” e realizar cortes no sutiã.

“Hoje em dia sabemos que o corpo já se prepara para isso”, comenta Drª Laura Gusman, “e existem coisas que podem ajudar depois, durante a amamentação, como passar o próprio leite no mamilo após a amamentação para ajudar em possíveis rachaduras”, completa.

O bico de silicone é recomendado?

O bico de silicone seria usado quando a mãe tem rachaduras no seio ou mamilo voltado para dentro, mas não é mais recomendado, já que “pode acabar causando confusão para o bebê e prejudicar a amamentação”, explica Drª Laura.

As melhores indicações para que a amamentação seja boa para o bebê e para a mãe são: informação e rede de apoio. Para continuar estimulando a prática, o Ministério da Saúde listou 10 passos para o sucesso do aleitamento materno. Confira abaixo!

Passo 1 – Ter uma política de aleitamento materno escrita que seja rotineiramente transmitida a toda equipe de cuidados de saúde;

Passo 2 – Capacitar toda a equipe de cuidados de saúde nas práticas necessárias para implementar esta política;

Passo 3 – Informar todas as gestantes sobre os benefícios e o manejo do aleitamento materno;

Passo 4 – Ajudar as mães a iniciar o aleitamento materno na primeira meia hora após o nascimento; conforme nova interpretação: colocar os bebês em contato pele a pele com suas mães, imediatamente após o parto, por pelo menos uma hora e orientar a mãe a identificar se o bebê mostra sinais de que está querendo ser amamentado, oferecendo ajuda se necessário;

Passo 5 – Mostrar às mães como amamentar e como manter a lactação mesmo se vierem a ser separadas dos filhos;

Passo 6 – Não oferecer a recém-nascidos bebida ou alimento que não seja o leite materno, a não ser que haja indicação médica e/ou de nutricionista;

Passo 7 – Praticar o alojamento conjunto – permitir que mães e recém-nascidos permaneçam juntos – 24 horas por dia;

Passo 8 – Incentivar o aleitamento materno sob livre demanda;

Passo 9 – Não oferecer bicos artificiais ou chupetas a recém-nascidos e lactentes;

Passo 10 – Promover a formação de grupos de apoio à amamentação e encaminhar