O movimento conhecido como Outubro Rosa é celebrado anualmente em outubro, e foi criado no início da década de 1990 pela Fundação Susan G. Komen for the Cure, assim como o laço cor-de-rosa, símbolo da campanha, a fim de mobilizar a sociedade sobre o diagnóstico do câncer de mama.  “No Brasil, o Outubro Rosa tem uma importância maior lá para os anos 2000, 2002. É uma campanha para conscientizar sobre o câncer de mama, com o objetivo de compartilhar informação, alertar tanto mulheres como homens sobre a importância, principalmente da prevenção e do diagnóstico precoce da doença”, explica Drª Laura Gusman, médica do Clude.  

O câncer de mama é causado devido à multiplicação anormal de células que surgem a partir de alterações genéticas, que são hereditárias ou adquiridas. É o tipo de câncer mais comum entre as mulheres no mundo, representando quase um terço de todos os casos da doença. Estimativas do INCA (Instituto Nacional do Câncer) apontam que no Brasil 66.280 mulheres desenvolverão esse tipo de câncer a cada ano, entre 2020 e 2022.

Há diversos tipos de câncer de mama, onde o desenvolvimento pode ser mais rápido, enquanto outros crescem mais lentamente, visto que esses comportamentos variam em função de características do próprio tumor. Segundo o INCA os principais tipos de câncer são: Carcinoma ductal e o Carcinoma lobular. O Carcinoma ductal é o mais comum, encontrado em 80% dos casos, tendo origem nos ductos mamários, além de possuir vários subtipos. Já o Carcinoma lobular tem origem nos lóbulos responsáveis pela produção de leite materno, sendo diagnosticado em cerca 5 a 10% dos casos. “Normalmente o câncer de mama é detectado através de exames de rastreamento, por isso é importante que a mulher tenha a preocupação de fazer a mamografia quando indicado”, salienta Drª Janaina Petenuci, endocrinologista do Clude

Independente da idade, a mulher precisa ter cuidados com sua saúde, realizando a prevenção através de exames, como a mamografia e também exames ginecológicos. A colposcopia e biópsia, por exemplo, são extremamente importantes para identificar outros tipos de câncer, como o câncer no colo de útero. “É importante que a mulher desde o início tenha hábitos saudáveis, como dietas, com a ingestão adequada de verduras, frutas e legumes. Evitar alimentos industrializados, enlatados e embutidos que normalmente possuem substâncias que são cancerígenas e ao mesmo tempo fazer atividades físicas com regularidade, porque isso permite que ela mantenha o seu peso que evita a apresentação de novos cânceres que também tem associação com o câncer de mama. […] 30% dos casos de câncer de mama podem ser evitados com hábitos saudáveis”, argumenta Drª Janaina.

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De acordo com o INCA o câncer de mama não possui uma única causa, e diversos fatores de risco podem acarretar no seu desenvolvimento, como a idade, história reprodutiva, fatores comportamentais e genéticos. “Podemos separar entre causas externas e causas internas, onde as internas são fatores hormonais, por exemplo, e as externas, o meio ambiente. Entre os fatores ambientais, sabemos que a obesidade é uma questão importante, o sedentarismo, a falta de atividade física, o consumo de bebida alcoólica e alguns fatores da história hormonal reprodutiva da mulher que pode contribuir. A primeira menstruação aos 12 anos, o fato de não ter tido filhos e os fatores genéticos, são importantes quando a mulher possui uma história genética relevante. Porém, sabemos que isso contribui de 5 a 10% dos casos. A causa ambiental também é importante e devemos prestar muita atenção nisso”, finaliza Drª Laura Gusman.

Entre os fatores comportamentais e ambientais, como o sobrepeso contribuem para o aparecimento de diversas doenças, além do câncer. Drª Janaina explica que “a obesidade tem associação principalmente com os tumores estrogênio dependente. Então aumenta o risco de câncer de mama e associado com isso, a inatividade também. Você tem uma prevenção em torno de 5% quando você faz uma atividade física. É importante que você tenha uma atividade com regularidade e ser uma pessoa ativa”. 

Manter hábitos saudáveis e ir ao médico periodicamente para a realização de check-ups e exames é fundamental para a saúde. Ao detectar qualquer alteração ou anomalia no corpo é necessário passar em um especialista para verificar o que está ocasionando isso. No caso da prevenção do câncer de mama “é importante que a mulher tenha a preocupação de fazer a mamografia quando indicado e ao mesmo tempo tem outros sintomas, mas quando é detectado um tumor já é um pouco avançado”, analisa Drª Janaina. Os sintomas da doença são relacionados diretamente com as mamas, mas também podem surgir em outras regiões como “um nódulo debaixo da axila, por exemplo. A mama às vezes pode ficar com aspecto de casca de laranja e às vezes tem a saída de uma substância anormal pelo mamilo”, finaliza Drª Janaina.

Drª Laura explica que “qualquer coisa que a mulher perceba que está diferente no corpo dela é importante passar pelo médico. Às vezes observamos algumas alterações no mamilo mesmo e essa questão da saída do líquido, ela pode ter uma conotação patológica, e ela pode ser até considerada normal, mas é importante ser avaliada. […] Muitas mulheres falam da questão da dor e na verdade, geralmente, é um nódulo indolor. Então se ela achar alguma coisa diferente na mama quando ela estiver no banho, por exemplo, é importante sempre procurar o atendimento para termos certeza e descartar qualquer possibilidade de uma coisa mais séria”.

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Uma das maneiras eficazes de detectar um nódulo nos seios e até mesmo em outras partes do corpo é o autoexame. “O autoexame é importante para a mulher se conhecer, principalmente. Mas ele não descarta o fato de que precisamos passar pelo rastreio. Então a gente estimula para que a mulher faça o autoexame para ela se conhecer, mas o importante é que ela mantenha o rastreio de acordo com o que a gente e o médico preconiza de acordo com a idade e fatores de riscos”, ressalta Drª Laura.

A importância de fazer exames periódicos a cada 6 meses ou 1 ano é fundamental para a prevenção da doença, devido a idade e predisposição, além dos fatores de risco da mulher. “Pela Sociedade Brasileira de Mastologia o rastreio começa a partir dos 40 anos e ele é anual. Realizamos o rastreio principalmente com a mamografia porque a ideia é você pegar lesões que não sejam possíveis de detectar na copação, ou seja, lesões muito pequenas e que podem aparecer a partir dos 40 anos, mas se a mulher possuir algum fator de risco elevado por algum motivo o médico irá avaliar e vai traçar a conduta que seja mais adequada para ela”, explica Drª Laura.

Cuidar a saúde é importante em qualquer período da vida, mas alguns fatores de risco podem influenciar no surgimento do câncer de mama. Segundo a Drª Janaina, “o mais importante é lembrar que você deve ter hábitos de vida saudáveis, como ter uma boa alimentação, comer frutas, verduras e diminuir a ingestão principalmente de alimentos industrializados que normalmente levam ao fator de risco de câncer. […] Ter um peso dentro do habitual e ao mesmo tempo ter hábitos saudáveis, como praticar exercícios físicos com regularidade, evitar fumar, não ter alta ingesta de bebidas alcoólicas, são hábitos que normalmente a gente preconiza para evitar o câncer de mama, assim como outros tipos de cânceres”. 

 

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