Em tempos de pandemia e isolamento social, alternativas como a video orientação médica têm sido utilizadas com cada vez mais frequência para preservar a saúde de médicos e pacientes. Luiz Henrique Mandetta, Ministro da Saúde, alertou que o Brasil deve começar a se preparar para expandir o modelo por conta da alta transmissibilidade da COVID-19, doença causada pelo vírus SARS-Cov-2. “Vamos utilizar de toda a potencialidade da telemedicina, ela não será somente de médico a médico, será aberta de maneira geral as pessoas poderem fazer consultas tendo do outro lado profissional de saúde capacitado para poder fazer o manejo clínico”, disse.

A prática da orientação médica à distância não é uma novidade e já passou por inúmeras mudanças de regulamentação pelo Conselho Federal de Medicina (CFM). Em decisão aprovada na última terça-feira (19), o CFM aprovou o uso das chamadas teleorientação (orientar e encaminhar pacientes em isolamento), telemonitoramento (acompanhar o quadro de saúde dos pacientes) e teleinterconsulta (troca de informações entre médicos) em caráter de excepcionalidade.

Alex Antoniazzi, enfermeiro do Clude, explica que a telemedicina vai ser “muito eficaz na guerra contra o coronavírus”, principalmente para desafogar o sistema de saúde. “É preciso que bons profissionais tenham entendimento de até onde vai a atividade médica com a vídeo orientação à distância ao lado de órgãos reguladores para normatizar a prática”, esclarece.

Dependendo da queixa, a vídeo orientação à distância acaba sendo limitante. “No caso de uma queixa ortopédica em decorrência de um trauma, é necessário o exame de imagem”, explica Alex. Mas, por outro lado, é muito comum e recomendada com sintomas gripais e questões dermatológicas, por exemplo. “É uma medicina muito confiável com aparelhos tecnológicos de alta definição“, diz.

Apesar de não ser presencial, os médicos ainda conseguem orientar os pacientes em muitos casos, evitando que as pessoas saiam de casa sem necessidade. É possível acompanhar “padrão respiratório, lesões e orientar para um atendimento presencial”, explica Drª Laura Gusman, médica do Clude. “Nesse momento, o principal objetivo é resolver o problema com o paciente em casa“, completa.

Médicos e profissionais de saúde dividem opiniões e, apesar de toda a polêmica em torno da prática, a vídeo orientação à distância tem sido fundamental para frear a trasmissão da COVID-19. “A telemedicina não vai substituir a consulta médica presencial. Ela veio para agregar valor e é muito usada hoje em dia, até mesmo com pacientes internados”, finaliza Alex.

Ainda segundo a resolução do Ministério da Saúde, “os médicos poderão, no âmbito do atendimento por Telemedicina, emitir atestados ou receitas médicas em meio eletrônico”.